Joia de ouro – A minúscula réplica da Ponte Hercílio Luz guardada há 30 anos no cofre do Museu Histórico de SC

“Fiz essa peça para ser exposta ao público, não para estar escondida!”.
O desabafo é do ourives Juan Alvez, criador de uma miniatura da “Velha Senhora”, de 33 centímetros, feita em ouro e prata.

A joia avaliada em quase R$ 100 mil foi produzida em 1989 como uma homenagem à Ponte Hercílio Luz que, naquela época, tinha acabado de ser interditada e corria o risco de cair.

A reprodução foi feita com 127 gramas de ouro 18 quilates e 106 gramas de prata, sobre uma base de pedra ágata, apoiada numa estrutura de madeira cedro.
Embaixo da ponte, um barquinho desliza pelas águas da Baia Norte.

Joia com a catalogação do Museu (Eugênio Pelegrin – Museu Histórico de SC)

Em 1991, Alvez a vendeu à Fundação Besc que doou a joia ao governo do Estado por ocasião das comemorações de 65 anos da inauguração da Ponte.

Desde então, está no Museu Histórico de Santa Catarina, no Palácio Cruz e Sousa, no Centro da Capital.

Detalhe da maquete original (Eugênio Pelegrin – Museu Histórico de SC)

Cofre protege a joia
Mas, pelo seu valor, não fica exposta ao público: está guardada num cofre.

Em 30 anos, a miniatura só foi exibida em três oportunidades: na solenidade da doação; depois, em 2013, durante as comemorações do centenário da casa da campo de Hercílio Luz, em Rancho Queimado, e em 2019, na exposição sobre a Ponte, no Museu, pouco antes de ser reinaugurada.

Alvez com a segunda obra na frente da Ponte (Foto de Daniel Conzi)

Uma curiosidade: no translado a Rancho Queimado, a 100 quilômetros de Florianópolis, foram utilizadas duas viaturas do Bope e segurança especial na casa de campo.

“A ponte é sinônimo de conexão e de união das pessoas. Esse é mais um motivo para a miniatura estar à vista das pessoas, que poderiam apreciar seus detalhes”, filosofa Alvez, argentino de 67 anos que adotou a Ilha há quatro décadas e que é proprietário da escola Artessencia Joias.

Réplica da réplica
Em 2009, indignado com a falta de exposição da joia, o ourives produziu uma segunda peça.

As duas réplicas, a original e a cópia

Um aluno ‘endinheirado’ do curso de joias se solidarizou com a frustração do professor e emprestou-lhe o ouro e a prata necessários para fazer uma cópia quase idêntica da original: somente a base é diferente e não tem as pedras brilhantes em cada poste de iluminação.

“Fiz de birra e a guardo na minha casa. Pelo menos agora posso mostrar para os meus alunos, familiares e amigos”, conta, acrescentando não temer pela segurança da peça.
“O seu valor é mais histórico do que pelos materiais utilizados. Se forem derreter o ouro, custaria muito menos”.

Juan Alvez com a segunda joia (Acervo pessoal)

Sobre a possibilidade de vender a joia, ele é contundente.
“Só venderia se o comprador colocasse para visitação geral do público. Qual o sentido de uma obra de arte ficar guardada num cofre?”.

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