Personagem do Centro – Torcedor símbolo do Avaí, seu Osni se aposenta, mas deseja voltar à Ressacada

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Magrinho, baixo, cabelos brancos já um pouco ralos, ágil nos gestos e movimentos, mas sempre calmo e educado no modo de falar, Osni de Mello, 75 anos, é aquele tipo de pessoa que a gente simpatiza de primeira, sem saber direito a razão.

Depois, com o tempo, ele revela outras qualidades, além do carisma.
É um homem correto, de palavra, que gosta do trabalho e o leva a sério, trata as pessoas com respeito e, por isso, é respeitado por elas.

De fato, sua história profissional em 48 anos como servidor do Tribunal de Justiça de Santa Catarina é marcada pela palavra gratidão – e não importa se fala de um estagiário, dos desembargadores ou de algum dos 29 presidentes com os quais conviveu.

Os causos que ele narra terminam em sua maioria do mesmo jeito: “sou muito grato a ele, sou muito grato a ela”.

Osni vestido a rigor no Estádio da Ressacada (Acervo pessoal)

Aposentadoria
Osni se aposentou recentemente ao completar 75 anos, muito a contragosto.
Ele considera a aposentadoria compulsória injusta e se emociona ao relembrar alguns momentos marcantes que viveu no Tribunal e, principalmente, dos amigos que fez e das pessoas que o ajudaram.

Seu Osni gosta de papear e é de um tempo em que o tempo não parecia tão escasso, por isso, fala com calma e ouve com atenção.

No último dia no TJ, Osni recebeu uma homenagem que contou com a participação do presidente do Avaí, Francisco Battistotti (Divulgação TJ)

Avaí
Morador do Centro da Capital, Osni é personagem folclórico da torcida do Avaí.
Era presença marcante em todos os jogos do Leão, na Ressacada, sempre vestido de azul e branco: camisa, bermuda e tênis, além do extravagante chapéu de penas de ganso e o singular óculos em formato de coração.

“Eu mesmo produzia”, diz, no passado, pois desde o início da pandemia não há mais jogos com a presença de público.
“Não vejo a hora disso tudo terminar para poder voltar ao estádio, me divertir e divertir o público”, afirma, lembrando que foi campeão juvenil pelo Avaí e que frequenta os jogos do time desde criança.

Aproveitando a aposentadoria, Osni anda pelo Centro: neste registro, após comprar uma tainha no Mercado Público (Billy Culleton)

Espetinho
Já no início da sua trajetória no Judiciário, ganhou o apelido que o persegue até hoje: Espetinho.
“Como sempre fui de andar pra lá e pra cá, bem rapidinho, um colega falou que eu parecia um ‘espeto corrido’ e o apelido grudou”.

Música
Seu Osni não nutre nostalgia pelas épocas passadas, considera que mundo melhorou em muitos aspectos, mas uma coisa da qual não abre mão é da “radiola”, o toca-discos de vinil no qual escuta seus cantores e compositores preferidos.
Tem quatro radiolas em casa – duas Telefunken, duas Philips. “O som estéreo delas é incomparável”, garante.

Quando fala de música, seus olhos brilham e brilham ainda mais ao falar do Roberto Carlos. “Tenho duas fotos com o rei”, diz, orgulhoso e emocionado.
Tem todos os discos do Roberto, menos o primeiro, “Louco por Você”, de 1961, que virou relíquia entre os fãs e é vendido na internet por R$ 7.900. “Conheces alguém que tenha?”, pergunta.

Mas não é só do Rei que gosta e dos demais integrantes da Jovem Guarda, “o maior movimento musical da história do país”, segundo ele.
Ouve também Nelson Gonçalves, Carlos Nobre, Vicente Celestino e, claro, os bons sambas. Gosta ainda de Frank Sinatra, Tony Bennett, Ray Conniff. Tudo em vinil. “É um ritual, é uma paixão”, diz.

Amor eterno
Ele faz questão de explicar a diferença entre paixão e amor. “Paixão”, afirma, é sentimento forte, intenso, mas passageiro.
“Já o amor é eterno e eu tenho três na vida: minha família, o Avaí e o rei Roberto Carlos”.
Faz uma pausa e completa: “e os amigos também, claro”.

Família
Sobre a família de origem, ele se emociona ao falar do pai que morreu jovem, de tuberculose: “não tenho nenhuma lembrança dele, e isso me dói até hoje”.

A mãe, grande amiga, faleceu antes do seu Osni entrar no Judiciário: “sinto que ela ficaria muito orgulhosa de mim”, diz.
Ele sempre morou no Centro de Florianópolis e é o caçula de cinco filhos, três dos quais já falecidos.

Casamento
É casado com Maria de Fátima Dias há 49 anos, de quem fala com voz embargada: “foi sempre muito companheira, muito guerreira, dedicada e me deu dois filhos lindos, que me amam e respeitam”.

Avô de um menino e uma menina, seu Osni é meio pai, meio avô da Pretinha, uma vira-lata que sofria maus-tratos e que ele e a esposa resgataram.

Ao ser perguntado sobre qual é o segredo para manter um casamento por tanto tempo, responde:
“Respeito e amor. É o amor que define tudo, abraça tudo, move tudo e é pra sempre.”

(Matéria adaptada a partir do texto do jornalista Fernando Evangelista, publicado no site do Tribunal de Justiça. Confira aqui a matéria original)

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