Personagens do Centro – O ‘policial’ mímico que arranca risadas (e gorjetas) nas sinaleiras da cidade

Quando o sinal fica vermelho, ao lado do Mercado Público, o pseudo-policial se aproxima e olha minuciosamente o veículo e seus passageiros.
Em silêncio, gesticula que o motorista não está usando o cinto de segurança.
Por isso, levará uma multa, que é feita na hora e colocada no para-brisa.

Sem pronunciar uma única palavra, o ‘agente’ vai até a porta do motorista, fica de costas e posiciona a mão para receber propina, enquanto faz o gesto de ‘dinheiro’ com os dedos, esfregando o polegar no indicador.

Ao receber qualquer quantia, ele caminha até a frente do carro e, dissimuladamente, retira a multa e se despede do bemfeitor.
Caso não receba nada, ‘fica brabo’ e aplica uma segunda multa.

Este é um dos números mais populares do famoso mímico que atua periodicamente em Florianópolis: o argentino Javier Picaso, de 50 anos, que há mais de uma década faz o seu show de 20 segundos pelas ruas da cidade, divertindo a todos os que presenciam a cena.
Vestido como palhaço, incluindo os enormes sapatos e o nariz vermelho, ele interpreta um policial, caracterizado pelo quepe, um coldre vazio e um colete fosforescente.

Confira o vídeo:

Diariamente, R$ 100
“Para me manter tenho que ganhar R$ 100 por dia, no mínimo”, afirma Javier, que tem que pagar o aluguel de um quarto no Centro, além da alimentação diária.
“Geralmente, consigo essa quantia. E, muitas vezes, é mais”.
A maioria dos motoristas dá até R$ 2, mas não são poucas as vezes que algum ‘abastado’, feliz com a apresentação, lhe entrega R$ 20, R$ 50 ou até R$ 100.

“Consigo fazer as pessoas rirem muito, no meio do stress do dia-a-dia e é isso que me traz satisfação”.

Nascido em Buenos Aires, ele começou na arte da mímica há 25 anos.
Mas nunca fez curso de artes cênicas. “Nem de policial!”, esclarece.
Há duas décadas, vem para Florianópolis na temporada de Verão.
O resto do ano viaja pelas demais capitais do país levando alegria em meio à cotidiana agitação urbana.

História
Na Grécia Antiga e em Roma, a mímica era um recurso usado em sátiras e comédias como forma de interpretação dramática.

Segundo o portal MultiRio, a arte da mímica, na Idade Média, foi preservada por atores que se deslocavam percorrendo cidades e apresentando espetáculos teatrais e circenses, principalmente em praças e mercados.

O maior mímico da história: Charles Chaplin (Acervo MultiRio)

Assim, o trabalho dos mímicos tornou-se extremamente popular por apresentar temáticas contemporâneas, com forte caráter crítico, e estabelecer fácil comunicação com as plateias.

A arte da mímica construiu também seu espaço no cinema mudo, no qual surgiu a figura de Carlitos, interpretada por Charles Chaplin, que expressava, com humor e romantismo, a ansiedade dos tempos modernos, informa o MultiRio.

(Texto e fotos de Billy Culleton – 10/2/2021)

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