Todos os jornais de SC, desde 1831 – Acervo da Biblioteca Pública poderá ser tombado como patrimônio histórico

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A maior coleção de jornais de Santa Catarina, e uma das mais importantes do Brasil, abriga 1,9 mil títulos de 100 cidades catarinenses.
O acervo se encontra na Biblioteca Pública do Estado, na Capital, mas sofre com a ameaça de deterioração pela falta de armazenamento adequado.

Para preservar esses importantes registros da memória do Estado foi protocolado junto à Fundação Catarinense de Cultura o pedido de tombamento da coleção, como patrimônio cultural e histórico de Santa Catarina.
A solicitação foi feita, em 10 de junho, por Alzemi Machado, que trabalha há 35 anos na Biblioteca Pública.
“Sabemos da importância que este precioso conjunto documental bibliográfico representa para a preservação das identidades e da história catarinense”, escreveu no pedido.

O acervo contempla todos os jornais já publicados no Estado: desde O Catharinense, fundado em Desterro por Jerônimo Coelho, em 28 de julho de 1831, até a atualidade.

Confira alguns jornais temáticos do acervo

— Abolicionistas:
A Ideia (1886), Tribuna Popular (1885-18920), Colombo (1881), Balão Correio (1884) e O Abolicionista (1884-1885).

— Bilíngües:
Kolonie Zeitung, Jaraguá, Joinvilensser Zeitung, Der Urwaldsbote, Vita Coloniale, La Nuova Urussanga, La Colonia e L’Alpino.

— Religiosos:
A Revelação, O Arauto e O Bota-Fogo.

— Classistas:
O Professor, O Typographo, O Caixeiro e O Operário.

— Femininos:
O Jasmim, Penna, Agulha e Colher.

— Satíricos:
Matraca, O Gato e Quebra-Nozes.

— Infantis:
A Carochinha e O Estadinho.

— Manuscritos:
Chimpalhaço, O Mequetrefe e A Hora.

— Escolares/estudantis:
A União, Estudante, Nosso Jornal e O Acadêmico.

— Clubes sociais:
O Blondinista e A Pena.

— Literários:
Moleque, O Palhaço, Aurora e Engenho.

— Esportivos:
O Desporto e O Sport.

— Partidos políticos:
O Relator Catharinense (1845), Novo Iris (1850-1851), O Argos (1856-1861), Constitucional (1870-1871), O Despertador (1863-1885), Correio Catharinense (1852-1854), O Mensageiro (1855-1856) e Regeneração (1868).

— Grandes jornais:
O Dia, República, A Verdade, O Estado, A Gazeta, A Notícia, Correio Lageano, Correio do Povo, Correio do Norte, Jornal de Santa Catarina, Diário Catarinense e Notícias do Dia.

O que diz a Fundação Catarinense de Cultura
O processo de tombamento dessa parte do acervo da Biblioteca Pública passará por instrução técnica na Diretoria de Patrimônio Cultural da FCC, depois análise do Conselho Estadual de Cultura e, se tiver aprovação nesses trâmites, vai para homologação do presidente da FCC. Não há prazo determinado para essa análise”, informou a assessoria de imprensa do órgão estadual.

Locais de armazenamento da coleção de jornais na Biblioteca (Alzemi Machado)

Os principais argumentos da solicitação
– Para o sociólogo Gilberto Freyre, os jornais são considerados fontes de grande importância na “interpretação de certos aspectos do Século XIX”, concluindo que “mais do que nos livros de história e nos romances, a história do Brasil no Século XIX está nos jornais”.

– Sob esta ótica, entende-se que coleções de jornais podem ser conceituadas como “monumentos históricos”, pois, enquanto “monumentos”, trazem à superfície o passado e recuperam a identidade cultural dos grupos sociais envolvidos, e enquanto “históricos”, testemunham os fatos e acontecimentos relacionados ao período do passado que se deseja preservar.

– Os monumentos carregam as marcas do tempo e a nossa consciência de passado e presente, tornando-se referências à preservação da memória, que é o conjunto de experiências vividas no passado, e que servem de paradigmas às condutas atuais.

Bibliotecário Alzemi Machado ao protocolar o pedido

– Assim, os jornais sempre tiveram notável importância e relevância por acompanhar o desenrolar dos fatos cotidianos, sejam eles políticos, econômicos, educacionais, culturais e sociais presentes numa sociedade.

– O registro impresso nas páginas dos jornais torna-se documento, constituindo-se em referências no processo de salvaguardar a memória histórica de indivíduos, grupos e da coletividade.

– O ato de tombamento como patrimônio histórico e cultural, abrirá perspectiva para se adotar políticas contundentes e permanentes voltadas a salvaguardar a coleção, exigindo do Poder Público a aplicação de dotações orçamentárias e financeiras específicas, alicerçadas em ações estruturantes voltadas à sua preservação e conservação, minimizando assim, às conseqüências de torná-lo um patrimônio cultural em risco.

– Preservar o conjunto da sua coleção, que se constituem registros ou testemunhas da história e ajudam a manter viva a memória de um povo é, portanto, um compromisso necessário com quem ajudou a escrever esta história, mas também com seu futuro, frente a tantas transformações.

Confira AQUI a íntegra do pedido

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