Entre 1760 e 1971 – Como eram os pomposos jantares e bailes no Palácio do Governo, atual Museu Histórico de SC

Por Billy Culleton

O Palácio do Governo, construído em meados do século 18, sempre foi palco de acontecimentos políticos.
Mas também de festividades. Seja por datas comemorativas, por visitas ilustres, homenagens ou atos de inauguração, o atual Palácio Cruz e Sousa, no Centro da Capital, presenciou inúmeras cerimônias, impulsionadas pelas relações políticas e sociais dos chefes de governo.

Uma das primeiras festas registradas no prédio, que era sede do governo e residência oficial do governador, remonta à década de 1760.
Foi oferecida pelo então presidente da província de Santa Catarina, Cardoso de Menezes, aos oficiais franceses da expedição marítima de Bougainville, que fez a volta ao mundo descobrindo novos lugares, além de catalogar plantas e animais.

Após o jantar, houve um grande baile. O historiador Osvaldo Rodrigues Cabral, no livro a “História de Santa Catarina”, fez o seguinte registro: “Numa festa oferecida na Casa de Governo estiveram presentes as senhoras, que se mostraram, para surpresa dos visitantes, bastante desembaraçadas e gentis”.

Imagem: Arte Neli Neto

Já Afonso de Taunay, na obra “Santa Catarina nos anos primevos”, comenta sobre o mesmo acontecimento: “Houve baile que decorreu muito animado, até altas horas, em perfeita liberdade de modos entre damas e cavalheiros”.

Algumas festas do século 19 são registradas pelos periódicos da época. Como o baile oferecido, em janeiro de 1884, pelo presidente da província, Francisco Luiz da Gama Rosa, em homenagem ao Príncipe Dom Augusto, neto de Dom Pedro II.
Rodeados de móveis ao estilo Dom João V, os convidados puderam desfrutar do som de violinos e do piano existente no Palácio, além de uma caixa de música alemã, estilo art nouveau.

Mas segundo o Correio da Tarde, a festa para o jovem Dom Augusto foi um fiasco completo e total. “A começar porque Gama Rosa por desafeição política e pessoal, não convidou pessoas cuja presença, em função do cargo que ocupavam e da sua posição social, não podiam ser esquecidas”.

Menu requintado
Além dos bailes, os jantares no Palácio buscavam oferecer uma gastronomia requintada para a época.
Um exemplo disso foi, em 1938, durante homenagem do interventor federal em Santa Catarina, Nereu Ramos, ao general comandante da 5ª Região Militar, José Meira Vasconcelos.

No menu impresso, cujo original se encontra no Museu Histórico de Santa Catarina, no Palácio Cruz e Sousa, é possível verificar as seguintes opções:

Entradas:
– Mayonnaise de Camarão
– Creme de Aspargos
Pratos principais:
– Peru à Brasileira
– Salada Russa
– Filet à Pompadour
Sobremesas:
– Pécegos do Pais em compota
– Pudim Gabinete
Bebidas:
– Café, vinhos, licores, champagne (também foram oferecidos charutos)

Uma das últimas festas no Palácio, foi oferecida pelo governador Colombo Salles em comemoração ao Dia da Independência, em 7 de setembro de 1971.
Na ocasião, recebeu o mundo oficial e a alta sociedade do Estado para um jantar, com direito a louça inglesa, similar à usada pela monarquia britânica.

Os convidados puderam apreciar o trabalho de marchetaria com influência portuguesa nos assoalhos, as pinturas nas paredes, os detalhes em gesso nos e o vitral em estilo art-nouveau da sala de jantar.

O colunista Zury Machado, estampou a seguinte nota no jornal O Estado, de 9 de setembro de 1971, com uma foto do governador dançando com sua esposa Daisy:

Os vestidos longos usados pelas lindas e elegantes mulheres, e os smokings, deixando os cavalheiros não menos elegantes, deram à recepção, a chamada noite de classe, bom gosto e elegância.
Os salões muito bem decorados, com cravos vermelhos e rosas também vermelhas, a boa música do trio Band Show e o jantar, excelente, serviço da equipe Manolo’s, agradou plenamente aos convidados do Governador do Estado e Senhora Colombo Machado Salles. A Primeira Dama do Estado, usando modelo em crepe marrom com suave bordado em ouro, melhor realçou sua elegância”.

Assim, após mais de dois séculos de luxuosas festas, incluindo suntuosos jantares e bailes de gala, no final da década de 1970, iniciou-se uma grande reforma no Palácio e, em 1984, a sede do governo passou a ser na Praça dos Três Poderes.
Duas décadas antes, em 1956, a residência oficial do governador tinha sido transferida para o Palácio da Agronômica, na Avenida Beira Mar Norte.

Após as obras, em 1979, o imóvel foi denominado Palácio Cruz e Sousa e cinco anos mais tarde passou a sediar o Museu Histórico de Santa Catarina, onde o mobiliário, os utensílios, vitrais e obras de arte podem ser admirados em perfeito estado de conservação.

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