Foi bordel, armazém e bar – A história preservada de um dos prédios comerciais mais antigos do Centro

 

Por Billy Culleton
Construído no século 19, o imóvel da loja de tecidos ‘Casa do Povo’ chegou a ser um dos pontos mais movimentados da cidade.
Localizado na esquina das ruas Conselheiro Mafra e Trajano, ficava próximo aos terminais marítimos de passageiros, na região central da Ilha, e servia como ponto de abastecimento de mercadorias para a população.
No “Armazém Brazileiro” era vendido todo tipo de produto alimentício.

Imagem do início do século passado: armazém no térreo e bordel no primeiro andar (Casa da Memória)

Já o acesso ao primeiro andar era mais reservado.
No local, as ‘mulheres da vida’ esperavam os clientes para fazer programas em alguns dos dez quartos com vista para o mar.
Na metade do século 20, sediou o Bar São Pedro e, na sequência, transformou-se numa referência na venda de fazenda (tecidos) quando ali se estabeleceu a tradicional Casa Yolanda, que fechou na década de 1980.
O ponto foi negociado e se transformou na loja Santana para, em seguida, ser adquirido pela família Althoff, atual proprietária da ‘Casa do Povo’.
“Há quatro décadas continuamos com a tradição de venda de todos os tipos de tecido”, conta Ricardo Althoff, responsável pelo comércio e filho do precursor da loja, seu Bertolino, já falecido.
Atualmente, o estabelecimento funciona nos dois andares.
“Apesar do grande oferta de roupas prontas, e de baixo custo, ainda existem muitas costureiras que produzem roupas para festas ou modelos exclusivos para o dia-a-dia”.
Ele revela que muitas pessoas chegam na loja e relembram o passado do imóvel.
“Tem cliente que conta histórias de quando era um armazém, depois Casa Yolanda e também sobre o funcionamento do bordel”.

Manutenção constante
Ricardo sente orgulho do imóvel centenário e tenta mantê-lo sempre com boa aparência.
Recentemente, concluiu uma reforma que incluiu o reboco das históricas paredes e a pintura externa, que mantém o tom da cor original do início do século passado.

“A manutenção é constante: fizemos uma grande reforma há 25 anos e, outra, em 2015, sempre com a supervisão da prefeitura, já que é um imóvel tombado”, diz, enquanto mostra a foto pendurada na parede do seu escritório, onde aparece o armazém em 1910.

Leitores acrescentam informações (nos comentários do Facebook):

J.l. Cibils:
“Me lembro como se fosse hoje, passava pela Conselheiro Mafra, e as moças “instrutoras”, colocavam seus peitos para fora, na soleira das janelas, era uma forma de tentar atrair a atenção, principalmente de trabalhadores oriundos da construção civil, que naqueles tempos, recebiam todas as sextas-feiras, em dinheiro.
Na maioria das vezes, deixavam ali, a maioria do que tinham ganhado ($$$) na semana por seus trabalhos árduos.
Na década de 70, a economia local, fervia, de tantos prédios públicos e privados, sendo construídos, com isto, freguesia farta para as moças “instrutoras”.

Dolores Lima:
“Muita história! O avô do meu marido era frequentador do bar São Pedro. A adorava os pastéis, que ele comia escondido da família”.

Sylma Dias:
“Era a antiga Casa Yolanda, de família turca muito conhecida.
O ponto dos ônibus do Continente eram ao lado da loja.
Os ônibus ocupavam todo o Largo da Alfândega e subiam pela Felipe Schmidt rumo à Ponte Hercílio Luz, única existente à época”.

Antonio Lima Grams:
“Não esqueço a escadaria longa e com pouco ângulo.
As paredes internas de madeira pintadas com caiação (tinta com cal) azul.
Lâmpadas coloridas também pintadas. Salão amplo.
E as garotas do ‘Balé de Paris’, que moravam todas juntas numa casa alugada próximo ao Bar das Pedras, na Praia de Itaguaçú“.

 

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