Miramar – O ponto de encontro de Florianópolis durante meio século completaria 93 anos

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Apoio cultural: Box 32 e CDL Florianópolis

Por Billy Culleton
Inaugurado em 28 de setembro de 1928, no trapiche próximo à Praça XV, o Bar e Restaurante Miramar, era o local preferido de boêmios, artistas, músicos, políticos e espectadores das regatas de remo.

O local foi um dos principais pontos de encontro da sociedade florianopolitana e destacou-se por estar localizado em uma região de fácil acesso aos habitantes da cidade, afirma a historiadora Caroline Soares de Almeida, no artigo “Final da década de 1920 em Florianópolis: a construção do Miramar e a urbanização da cidade“, da Revista Santa Catarina em História (UFSC).

Multidão em evento próximo ao Miramar (Casa da Memória, coleção Desterro Antesdonte)

O acesso ao local também era favorecido porque, em frente, encontrava-se a parada final dos ônibus que vinham dos bairros.

O Miramar também servia como palco de eventos desportivos náuticos, sendo essa descrição pouco abrangente para dar conta da verdadeira importância sociocultural do edifício, prossegue Caroline.

O Miramar nasceu como reflexo da onda de modernização que tomou conta de Florianópolis na década de 1920.
Até então, ali existia o antigo trapiche municipal, ponto de embarque e desembarque de passageiros das embarcações que atravessavam a Baía Sul até o Estreito.

Registro de 1926 mostra o antigo trapiche, provavelmente, durante a chegada de uma autoridade

Deteriorado e decadente, foi demolido em 1927 para o início da construção do Miramar.

A Superintendência fará construir ali, dentro em breve, um cáez condigno daquella praça, para embarque e desembarque, em prolongamento á mesma praça tendo a largura desta, na sua intercessão com o caes actual e o comprimento do trapiche”, publicou o jornal O Estado em 6 de maio de 1926.

Na sua decoração, predominavam as linhas ecléticas com elementos neoclássicos, que atraia a elite econômica e política da cidade.
Na época, um dos divertimentos dos frequentadores era jogar moedas no mar para que crianças mergulhassem e resgatá-las.
Mas no início da década de 1970, o Miramar também entrou em decadência, entre outros motivos, pelo início do aterro da Baía Sul.
O bar fechou, o espaço virou estacionamento e eventualmente era utilizado para apresentação de peças teatrais: ficou conhecido como o primeiro Teatro de Arena do Estado de Santa Catarina.

Apesar dos esforços de muitos pela sua manutenção, em 24 de outubro de 1974, a estrutura foi completamente demolida.

Crônica final
Confira a crônica do jornalista Adolfo Ziguelli, lida no Programa Vanguarda, da Rádio Guarujá, em 25 de outubro de 1974 (Arquivo Zininho, Casa da Memória):

“Ontem à tarde morreu o Miramar, ainda bem que lhe pouparam a agonia lenta das mortes dolorosas e lhe desfecharam um golpe só, rápido e certeiro. O progresso matou o Miramar. Foi em nome dessa palavra mística incorporada ao pensamento médio vigente que o Miramar tombou, sem um gemido e sem protesto, destroçado pela máquina. Sobre as areias conspurcadas do aterro espalharam-se os restos do seu corpo esquartejado sem que ao menos as antigas águas amigas lhe lambessem as feridas sangrentas. Flores rubras se abriram no seu velho peito cansado e por elas jorrou o sangue de muitas gerações. Nenhuma lápide, nenhuma inscrição, ontem morreu o último símbolo da ilha”.

Em 2001, uma réplica das colunas do Miramar foi erguida no lugar exato onde estava o antigo trapiche, sendo incorporada à Praça Fernando Machado, onde permanece até hoje.

(As fotos antigas são da Casa da Memória e as atuais, de Billy Culleton)

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