Os 100 anos da Igreja Santo Antônio, um dos mais aconchegantes templos do Centro de Florianópolis

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Por Billy Culleton
Uma chácara abandonada numa colina aprazível e ‘afastada’ da região central de Florianópolis foi o local escolhido pelos padres Franciscanos para construir, em 1921, a pequena e acolhedora Igreja Santo Antônio.
A descrição pode ser encontrada nos arquivos da Terceira Ordem do Franciscanos, ao se referir ao terreno adquirido da família Hoepcke, em 1908, quando os freis chegaram à cidade.

Em 1911, os frades Evaristo Schürmann e Ambrósio Johanning passaram a morar na nova residência, na Rua Padre Schuler, entre a Padre Roma e São Francisco.
Na sequência, ergueram uma capelinha provisória.
Uma década depois, em 10 de abril de 1921, conseguiram inaugurar a acolhedora igreja, próxima ao atual Supermercado Angeloni.

O local, ‘o mais pitoresco da cidade’, segundo os arquivos dos Franciscanos, tinha sido um antigo campo do sanguinário governador interventor em Santa Catarina Moreira César (1894-1898), morto em Canudos.
Os frades compraram uma área de 6,5 mil metros quadrados com duas casas, onde moraram por longos anos e instalaram a capela improvisada, que depois se transformou na bela capela dos dias atuais.

Paróquia
Em 30 de agosto de 1966, foi transformada em paróquia, por decreto arquiepiscopal assinado por Dom Afonso Niehues.

O seu território, totalmente desmembrado da Catedral Metropolitana, abrangia toda a “área de entrada da Ilha, pela Ponte Hercílio Luz”.

A paróquia, então, recebeu o nome de Santo Antônio, por ser este santo filho da ordem dos Franciscanos.
A abrangência também inclui as igrejas Nossa Senhora do Parto e São Francisco, além da capela do Colégio Catarinense.

Escola São José
Um dos objetivos iniciais dos Franciscanos ao se instalarem em Florianópolis era construir uma escola, sonho que se concretizou em 15 de junho de 1915, quando foi inaugurada a Escola São José, na frente da então capela.

Nesta época, o padre Luís Schuler e Frei Evaristo Schuermann, lançaram as bases do que viria a ser o Grupo Escolar São José, naquele tempo, o maior do Estado, com mais de 1,1 mil alunos.
Com o falecimento de Frei Evaristo Schuermann em 1939, a escola gratuita foi transformada em Grupo Escolar para alunos de ambos os sexos e foi entregue a um diretor secular.

O colégio foi criado pelo bispo de Florianópolis, Dom Joaquim Domingues de Oliveira (1868-1967), para atender crianças carentes.

Os freis Franciscanos dirigiam a primeira escola laica do Estado: a igreja construiu e o Estado doou terreno.

Desde o começo, os Franciscanos haviam trabalhado na escola.
Distribuíam não apenas calçados e cadernos aos inúmeros alunos carentes, como ainda lecionavam no Instituto de Educação e no Colégio Coração de Jesus.

Em 1925, faleceram estes dois apóstolos, engajados na causa educacional: monsenhor Francisco Topp e o padre Luís Schuler.
Frei Evaristo tornou-se o herdeiro de ambos: foi nomeado Vigário Geral da Diocese e diretor da Escola Gratuita de São José.

Décadas depois, após ampla reforma, o prédio da Escola São José foi alugada para a iniciativa privada.

Após uma ampla reforma, na década de 1990 a antiga escola abrigou a Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) e, atualmente, o Colégio Tendência.

(Esta reportagem foi feita a partir de pesquisa nos seguintes fontes: franciscanos, na Revista Vida Franciscana (1964), texto de Frei Querubim Engel, na obra datilografada pelo Frei Oswaldo Furlan, em 1975 (disponíveis na secretaria da paróquia) e nos arquivos da Igreja Santo Antônio.  As imagens históricas são acervo da Igreja Santo Antônio. As atuais, de Billy Culleton)

 

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