Partes da costela de Santa Catarina, assassinada há 1.700 anos, estão expostas no Centro da Capital

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O único lugar no mundo, fora do Egito, onde existem relíquias da padroeira do Estado, é na região central de Florianópolis.
São dois pedaços da costela de Catarina de Alexandria que desde o ano 2000 estão expostas na capela do Tribunal de Justiça e na Igreja Ortodoxa de São Nicolau.

Nesta quarta-feira, 25, se comemora o Dia de Santa Catarina, mas excepcionalmente neste ano de pandemia, não é possível visitar estes locais.

Capela Ecumênica do Tribunal guarda relíquia (Divulgação TJ/SC)

Do Monte Sinai para Floripa
As relíquias foram trazidas para a Capital há 20 anos.
Foi um presente dos monges do Monastério do Monte Sinai, no Egito, para o único estado do continente americano a homenagear o nome da santa, assassinada em Alexandria, no ano 307, por defender o Cristianismo.
As tratativas para a doação com o monastério que guarda os restos mortais de Santa Catarina foram feitas por membros da Igreja Ortodoxa Grega de Florianópolis.

Assim, em outubro de 2000, uma parte da quinta costela direita da santa, com cerca de 5 centímetros, foi colocada na então recém-inaugurada capela ecumênica do Tribunal de Justiça.

Parte da costela, na capela, para veneração (Divulgação TJ/SC)

Um outro pedaço do mesmo osso, com 4 centímetros, está exposto para veneração na Igreja Grega São Nicolau, na Rua Tenente Silveira.

Altar onde se encontra a relíquia no templo São Nicolau, no Centro (Acervo Igreja Ortodoxa)

Quem foi Santa Catarina
Moradora de Alexandria, Catarina era de origem aristocrática e se caracterizava por grande beleza física e profunda sabedoria.
Após se converter ao Cristianismo, no início do século IV, defendia arduamente o pensamento cristão.
Era o tempo das perseguições aos cristãos pelo Império Romano e ela enfrentou o imperador para defender os que professavam a fé e eram condenados.
Também ela foi instada a renunciar a fé cristã e cultuar os deuses romanos.
Como se negou, foi condenada à morte.

Monsenhor entrega relíquia ao então presidente do TJ, Francisco Xavier Vieira (Arquivo Alesc)

Por que o Estado adotou o nome
O nome de Santa Catarina foi dado em 1526 pelo navegador espanhol Sebastião Caboto ao chegar à Ilha.
Teria sido uma homenagem a sua esposa que se chamava Catarina e também porque era 25 de novembro, dia de Santa Catarina de Alexandria.

Negociação para trazer as relíquias
A presença das relíquias da padroeira em terras catarinenses coroou a obstinação do falecido monsenhor Angelos Kontaxis, pároco da Igreja Ortodoxa de São Nicolau, de Florianópolis.
Em 1999, ele convenceu o então governador Esperidião Amin da conveniência de trazer para o Estado uma relíquia da santa.
Para isso, viajou a Alexandria para negociar com os monges que guardam os restos mortais da santa.

Reunião com o governador Amin (Arquivo Alesc)

O então chefe da Igreja de São Nicolau explicou que os poderes do Estado construiriam uma capela específica para a relíquia e a guardariam com zelo.
Também relatou, para espanto dos monges, que em Florianópolis os cristãos de diversos matizes viviam em paz com fiéis de outras religiões, como judeus e mulçumanos.
E citou como exemplo, o Mercado Público e seus arredores, que têm imigrantes de diversos países trabalhando em harmonia.
Foi o suficiente para conseguir a ‘façanha’ de trazer as duas peças de 1.700 anos para Florianópolis, o que para muitos parecia impossível.

Monastério do Monte Sinai (Acervo TJ/SC)

(Esta reportagem foi feita com base em dados disponíveis nos sites da Alesc, TJ/SC, Arquidiocese de Florianópolis e Colégio Catarinense. A imagem de abertura é acervo da Catedral Metropolitana, em dia de procissão pelas ruas da Capital)

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