Personagens do Centro – Vamos em frente e com vontade de viver: um braço, uma perna e uma muleta

Provavelmente, o leitor já tenha se surpreendido ao ver este morador de rua pedindo esmolas nas sinaleiras do Centro.
Pela agilidade com que se locomove, dá a sensação de que ele nasceu com deficiência.

Mas, não. Até cinco anos atrás, Werner Dutra Tocni levava uma vida normal como músico, em Florianópolis.
Natural de Santa Maria (RS), tocava em bandas de rock e se apresentava em diferentes regiões de Santa Catarina.

 

Foi em 2012, enquanto testava a guitarra, em Joinville, que levou um choque elétrico que, posteriormente, provocou a amputação de dois membros direitos: o braço e a perna foram calcinados pela descarga.
Foi quando seu mundo desabou.
“Os primeiros tempos foram terríveis. O pior mesmo, foi o segundo ano.”

Após dois anos na cama decidiu enfrentar a realidade.
E o fez com o que ele tem de mais espontâneo: o sorriso e a esperança.

“Tem muita coisa pior. Mas não posso pensar em pior, tenho que pensar no melhor para mim”, garante, enquanto se desloca aos pulos entre os carros pedindo algum trocado.
Werner, de 37 anos, tem um bom papo: conta causos, sabe tudo sobre rockn’roll e transparece otimismo. Quando sofreu o acidente frequentava a 7ª fase do curso universitário de Ciências Contábeis.

E por que em situação de rua? “Ah, a vida me levou para este caminho…”, transgiversa, acrescentando que ‘logo, logo’ deverá retomar o curso universitário para poder exercer a a profissão.

E nunca tentou pedir auxílio por invalidez? “Já tive esse benefício, mas depois não renovei, porque quero me formar, trabalhar e me aposentar com um salário melhor”.

Assim, entre devaneios, contradições e ilusões, Werner continua enfrentando a dura realidade das ruas de Florianópolis.
Com a metade dos membros, porém, com muita vontade de viver.

E, apesar do sofrimento, é na rua que se sente mais vivo e feliz.
“O problema já aconteceu, agora tenho que pensar em solução. E vamos em frente!”.

Confira vídeo:

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