Ponte Hercílio Luz completa 95 anos – Na primeira década era cobrado pedágio: R$ 1 por pessoa e R$ 20 por carro

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Por Billy Culleton
O povo está cansado de ser espoliado; todos, sem distinção de classes, anseiam pelo dia em que desapareçam das cabeceiras da ponte as odiosas guaritas”.

O trecho da crônica publicada no Jornal O Estado, em 17 de fevereiro de 1931, mostra a insatisfação da população com a cobrança do tributo para atravessar a Ponte Hercílio Luz, desde a sua inauguração em 13 de maio de 1926.

Cada pessoa pagava 100 réis, independente se estava passando a pé ou a bordo de um veículo.

Levando em consideração que, na época, o Jornal O Estado custava 200 réis (hoje o Notícias do Dia custa R$ 2,50), podemos concluir que era cobrado em torno de R$ 1,00 de cada cidadão.

Guarita na cabeceira insular, em 1929 (Acervo Jornal do Mercado Público)

As carroças pagavam 1,5 mil réis (R$ 15) e automóveis, 2 mil réis (R$ 20).

Animais e volumes
Se o pedestre estivesse carregando um volume grande também deveria pagar por isso: 200 réis.

Já quem passava de bicicleta ou com um carrinho de mão desembolsava 500 réis nas guaritas existentes nas duas entradas da estrutura.

Lista com os valores publicada na dissertação de mestrado da historiadora Sabrina Fernandes Melo (link no final da reportagem)

A taxação também era implacável com quem transportava animais: 1 mil réis por cada cabeça de gado que cruzava a Ponte.

Concessão para empresa particular
Com a abertura da Ponte, há exatos 95 anos, o governo do Estado concedeu os serviços de manutenção da obra para uma empresa particular que, em troca, tinha o direito de cobrar o pedágio.

Empresas de ônibus pagavam por cada passageiro transportado (Acervo Casa da Memória)

O contrato foi assinado por dez anos e terminou em 1935.

Desde então, a travessia entre a Ilha e o Continente passou a ser gratuita, atendendo aos protestos da população local há mais de oito décadas.

A crônica que mostrava a insatisfação com a cobrança da taxa (no alto, em destaque o preço do jornal: 200 réis)

(Os dados desta reportagem foram pesquisados em “Arquitetura e ressonâncias urbanas em Florianópolis na primeira metade do século XX”, dissertação de mestrado de Sabrina Fernandes Melo, Pós-Graduação em História da UFSC, 2013 e “A colcha de retalhos do espaço urbano – Sociabilidades, transformações e revitalização na criação da beira-mar Continental – Florianópolis (1926-2008)”, dissertação de mestrado de Gisele Bochi Palma, na Pós-Graduação em História da Udesc, 2010. A foto de abertura é do acervo da Casa da Memória)

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