Turismo nos morros do Centro – Comunidade oferecerá visitas guiadas a mirantes, parques e locais históricos

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Além das belezas naturais, o Maciço do Morro da Cruz, no Centro de Florianópolis, guarda a história das comunidades que ali residem há mais de 150 anos.

Um exemplo é o Monte Serrat, que a partir de 1860 começou a abrigar escravos fugidos ou libertos, que viviam em choupanas e ranchos de madeira, ao redor dos quais plantavam pequenas roças.

É justamente nesta comunidade que será lançado, nesta segunda-feira, 19, o projeto de Turismo de Base Comunitária.
O encontro será online, mas no sábado, 24, haverá reunião presencial na Igreja de Monte Serrat.

A ideia do Instituto Padre Vilson Groh (IVG) é levar visitantes para conhecer a história e cultura da região e envolver os próprios moradores na recepção, acolhimento e condução desses turistas.
Busca-se, assim, fomentar a geração de renda e reconhecimento para a comunidade.

Atrativos:

Mirante na caixa d’água mais antiga de Florianópolis: inaugurado em 1910, tem uma bela praça no entorno.

Passeio no Parque do Maciço do Morro da Cruz: extensa área verde, com lagos, trilhas e mirantes.

Sede da Escola de Samba Copa Lord: uma das mais tradicionais da cidade, foi fundada em 1955.

Fonte das lavadeiras: ‘expulsas’ do Centro há um século, continuaram com a atividade no Monte Serrat.

Mirante do Morro da Cruz: localizado ao lado das antenas, oferece um visual deslumbrante da Ilha, a 300 metros de altura.

São correalizadores do projeto ‘Turismo de Base Comunitária no Monte Serrat’ o Sebrae, o Conselho Comunitário, a Pastoral Monte Serrat e a Viajar Faz Bem.

Conheça a história do Monte Serrat:
– O Monte Serrat é uma das áreas ocupadas mais antigas dos morros de Florianópolis e foi historicamente excluída das ações de implantação de infraestrutura e serviços urbanos da cidade.

– A ocupação, que começa em 1860, teve três fases.

– A primeira, foi por escravos fugidos ou libertos que viviam em pequenas choupanas e ranchos de madeira, ao redor dos quais plantavam pequenas roças.

Imagem do caminho no Monte Serrat que ligava ao Centro: ao fundo, a Catedral (Foto: acervo Instituto Histórico e Geográfico de SC)

– A segunda fase ocorreu a partir da década de 1920, decorrente das mudanças urbanas sanitaristas que expulsaram os pobres do Centro da cidade.

Casinhas no início do Morro, na década de 1920 (Foto: acervo Instituto Histórico e Geográfico de SC)

– A terceira, foi durante as décadas de 1950 e 1960, com a migração de população negra empobrecida de Biguaçu e Antônio Carlos que buscava trabalho na construção civil.

– O nome originou-se a partir de uma imagem de Nossa Senhora do Monte Serrat que chegou de navio a Florianópolis, em 1927, e foi levada em procissão até a capela do então morro da Caixa d’Água.

– As primeiras lajotas foram colocadas no morro em 1983.

– O padre Vilson Groh chegou para morar no Monte Serrat em 1983 e incentivou a organização de movimentos sociais. Assim, ele estreitou os laços com a comunidade, reivindicando melhores condições de vida para a população excluída das políticas públicas.

– O ônibus começou a atender a comunidade em 1993.

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Programa de Economia Criativa
O projeto faz parte do Programa de Economia Criativa do IVG, que, no ano passado, desenvolveu a Chamada de Impacto Monte Serrat.
O objetivo do programa é empoderar os pequenos empreendedores das comunidades empobrecidas da Grande Florianópolis, por meio de capacitações, gerar visibilidade e reconhecimento e, dessa forma, fomentar a produção de emprego e renda local.

Objetivos da ONU
O IVG é signatário do movimento Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU em Santa Catarina e desenvolve projetos que impactam positivamente o planeta. Especificamente no Programa de Economia Criativa, são contemplados os ODS 8 (Trabalho Decente e Crescimento Econômico), ODS 10 (Redução das Desigualdades) e ODS 17 (Parcerias e Meios de Implementação).

(Esta reportagem foi feita com base em informações do IVG, na tese de doutorado em Geografia (UFSC) de André Luiz Santos chamada “Do Mar ao Morro: a geografia histórica da pobreza urbana em Florianópolis”. E também no livro “A Sociedade sem Exclusão do Padre Vilson Groh”, de Camilo Buss Araújo.)

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