1930 e 2020 – Mesmo dia, mesma hora: as coincidências na deposição de dois governadores catarinenses

Na madrugada de 24 de outubro, à 1h, o governador eleito democraticamente pouco tempo antes, com esmagadora maioria dos votos, foi obrigado a se afastar do cargo.

A narrativa se encaixa perfeitamente nos episódios que afastaram Fúlvio Aducci, em 1930, e Carlos Moisés, em 2020.

Coincidentemente, os mandatos de ambos são os mais curtos da história de Santa Catarina, entre os governadores eleitos: Aducci, 30 dias, e Moisés, 22 meses.

Civil x Militares
Mas, há nove décadas, o motivo da deposição foi a ‘Revolução’ promovida por um militar (Getúlio Vargas) contra um civil.
Surpreendentemente, nesta última sexta-feira, foi o contrário: os civis dos poderes Legislativo e Judiciário afastaram um militar.

A casualidade deste dia histórico foi lembrada pelo jornalista Carlos Damião, em matéria divulgada neste sábado: “Outro governador catarinense foi deposto num 24 de outubro, há exatos 90 anos”.

Trincheira na Ponte Hercílio Luz
A partir da dica do mestre Damião, o Floripa Centro foi atrás dos jornais da época para verificar os detalhes da queda de Fúlvio Aducci, que tinha sido eleito com esmagadora votação meses antes e assumido a ‘presidência’ de Santa Catarina em 29 de setembro de 1930.

Na noite de 23 de outubro, para tentar repelir as forças revolucionárias que chegavam a Florianópolis, Aducci mandou arrancar parte do piso da Ponte Hercílio Luz para construir trincheiras, com arame farpado, na parte insular da obra.

Governador Fulvio Aducci

Mas a mobilização das tropas leais não foi suficiente.
Convicto de que a situação era irreversível, o governo tomou a decisão de abandonar a Capital.
Diante disso, foi hasteada, na cabeceira da ponte, uma bandeira branca, dando vários disparos para o ar”, registra o Jornal O Estado, acrescentando que, imediatamente, foram recolocados os pranchões na Ponte e, do lado do Continente, vieram os golpistas, a quem foi declarada a capitulação.
Era 1 hora da madrugada”, relata o jornal, que justifica e apoia o golpe de Getúlio.
Jornal legalista é atacado
No primeiro dia da nova gestão, outro jornal, a Folha Nova, foi atacado por populares que apoiavam o novo governo.
Grande multidão partiu da Praça Quinze rumo à rua Deodoro, gritando: A Folha Nova!”, descreve O Estado.
Os populares, entre gritos de ‘Abaixo o pasquim’ e ‘Fóra o galego’, começaram a emborcar os caixotins, a derrubar prateleiras, a quebrar os móveis e a destruir as máchinas”.
E continua: “O jornal em seus últimos números havia usado de linguagem julgada injuriosa pelos idealistas da Revolução”.
E esse foi o início da gestão de Ptolomeu de Assis Brasil, interventor nomeado pelo governo federal, que terminou em 26 de outubro de 1932, apenas dois anos após a posse.
Seria outra coincidência?

Confira aqui a íntegra da reportagem do Jornal O Estado de 25 de outubro de 1930, sobre os episódios do dia anterior.

(A imagem de abertura é da Casa da Memória)

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