Após 270 anos sendo consumido pela população local, o berbigão está extinto no litoral de Florianópolis

Um dos moluscos mais tradicionais da Capital já não é encontrado nas águas do seu litoral.
Há quatro anos, os responsáveis pela Reserva Extrativista (Resex) Marinha do Pirajubaé informaram que o berbigão estava oficialmente extinto.

Foto: Pixabay

Com 17 hectares e localizada no mar frente ao bairro Costeira de Pirajubaé, no Sul da Ilha, a Resex foi a primeira reserva extrativista marinha do Brasil, criada em 1992, e a mais importante do Sul do país.

A causa para o sumiço do molusco é a soma de diversos fatores.
A começar pelo aterro para a construção da Via Expressa Sul, na década de 1990, que dragou 6 milhões de metros cúbicos de sedimentos da reserva extrativista.
Também se aponta para o excesso desenfreado na extração do berbigão, sem nenhuma fiscalização, e para a poluição das águas da Baía Sul.

Foto: divulgação PMF

Os açorianos que chegaram em Florianópolis a partir de 1748 ‘descobriram’ o berbigão e o incorporaram a sua alimentação.
Durante séculos abundou em todo o litoral.

Fotos: Billy Culleton

Mas, se antes era comida de pobre, atualmente é considerado uma iguaria.
Exemplo disso é o valor do quilo no Mercado Público da Capital: esta semana era vendido entre R$ 38 e R$ 45.
Agora, o molusco vem de Palhoça, Imbituba e São Francisco do Sul.
Assim, pelo fato de ser um dos alimentos mais tradicionais da cidade, em 1992, foi criado o Berbigão do Boca, que abre o Carnaval florianopolitano desde 2003.

Foto: divulgação Berbigão do Boca

Mas, infelizmente, o molusco para a preparação dos pratos da festa agora tem que ser ‘importado’, como consequência da desastrada intervenção do homem no nosso meio ambiente.

(A foto de abertura é do Pixabay)

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