Forte Santana, na Beira Mar Norte, completa 260 anos e ganha concha acústica, cafeteria e iluminação cênica

*Por Billy Culleton

Construído em 1761 pelos portugueses para proteger a Ilha, o Forte Santana, embaixo da Ponte Hercílio Luz, está passando por uma grande reforma.
A previsão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) é concluir a obra até a metade do ano: o espaço está sendo revitalizado para atrair cada vez mais pessoas para esse lugar privilegiado.

Uma concha acústica permitirá apresentações musicais e teatrais, com o mar da Baía Norte como fundo.
Também haverá uma cafeteria-lanchonete-bar, bicicletário e uma iluminação cênica especialmente preparada para valorizar a fortaleza, tombada como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1938.

A restauração, que custará R$ 1,8 milhão, está avançada: o telhado já foi totalmente substituído e as paredes e o piso, revitalizados.
As danificadas estruturas de madeira que sustentam os canhões também serão substituídas.

Dom Pedro I
Dom Pedro I desembarcou no forte quando chegou em Desterro para uma visita de dois dias à cidade, em novembro de 1826.
Confira reportagem completa sobre a visita relâmpago do imperador:
Resgate histórico – O dia em que o imperador Dom Pedro I visitou Desterro, assistiu à missa, passeou e foi embora

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Tela de Cibele Souto Amade mostra desembarque de Dom Pedro I em Canasvieiras. Na sequência, num escaler, o imperador chegou ao Forte Santana.

A edificação foi utilizada por militares até ser desativada em 1907.
Depois, a fortaleza ficou abandonada por mais de seis décadas e a área, tomada por construções clandestinas.

Mas em 1969, começou a restauração, concluída em 1975, que lhe devolveu as formas originais.
Naquele ano, o forte foi aberto ao público para acesso irrestrito a todo o complexo, que inclui sete canhões originais.

A arquitetura
O forte é constituído por um único conjunto de edificações geminadas, tendo à sua frente uma bateria com sete plataformas de tijolos para posicionamento de seus canhões.

A história
Localizado junto ao estreito de união das baías Norte e Sul, sua função era proteger a Vila de Nossa Senhora do Desterro das embarcações que adentrassem pela Baía Norte, segundo o site fortalezas.org.

Posteriormente, esta proteção foi reforçada com o cruzamento de fogos com o Forte de São João, localizado no Continente.
Em 1786, tinha 10 canhões, sendo quatro deles de bronze: um de calibre 8 libras e três de calibre 6 libras; e seis canhões de ferro, todos de calibre 12 libras.

Além de suas funções originais, abrigou a Escola de Aprendizes Marinheiros (1857), a Companhia dos Inválidos (1876), o serviço de Polícia do Porto (1880) e, finalmente, uma estação meteorológica do Ministério da Agricultura.
Em 1938, foi tombado como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, abrigando desde 1975 o Museu de Armas da Polícia Militar de Santa Catarinao, que no momento encontra-se fechado.

Revolução federalista
Um episódio marcante da história do forte ocorreu em 1893, por ocasião da Revolução Federalista, quando trocou tiros com a esquadra rebelde, de acordo com o site fortalezas.org.
Prevendo um ataque à cidade, que viria de fato a ocorrer, o comandante do Forte mandou reunir diversos canhões de ferro fundido, que encontravam-se então enterrados pela metade nas ruas da cidade, funcionando com simples enfeites.

Com este armamento obsoleto, a fortificação trocou tiros com o poderoso Cruzador Repúblico e com o Vapor Palas, os quais estavam fora do alcance daquela precária artilharia. Por isso, conseguiram bombardearam o forte, forçando seu comandante ao imediato cessar fogo e rendição.

(As fotos antigas são do site fortalezas.org. A imagem de abertura é do Iphan. As atuais, de Billy Culleton)

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