Construído em 1765 – Forte Santana, na Beira Mar, passa por primeira reforma geral em 45 anos e ganha cafeteria

Por Billy Culleton
Dom Pedro I desembarcou nesta fortaleza quando chegou em Desterro para uma visita relâmpago em novembro de 1826, 61 anos após ter sido construída pelos portugueses para proteger a Ilha de Santa Catarina.
O nome original é Forte Santana do Estreito em alusão ao pequeno espaço marítimo entre a Ilha e o Continente (atualmente, para os florianopolitanos, Estreito virou sinônimo do bairro na região continental).
Construída em 1765, a fortaleza foi utilizada por militares até ser desativada em 1907. Depois, ficou abandonada por mais de seis décadas e a área foi tomada por construções clandestinas.
Mas em 1969, começou a restauração que lhe devolveu as formas originais, concluída em 1975.
Naquele ano, o forte foi aberto ao público, que passou a ter acesso ao local para apreciar todo o complexo, que inclui sete canhões e o Museu de Armas Lara Ribas, administrado pela Polícia Militar de SC.

O forte é constituído por um único conjunto de edificações, quase todas geminadas, tendo à sua frente uma bateria com sete plataformas de tijolos para posicionamento de seus canhões.

Agora, em maio, 255 anos após a construção e há 45 anos da reabertura, começou uma reforma geral que promete revitalizar completamente o local.
O telhado está sendo trocado. As paredes e o piso, revitalizados.
As danificadas estruturas de madeira que sustentam os canhões também serão substituídas.
E o público ainda terá uma cafeteria à disposição, com todo tipo de lanches, cafés e bebidas.

A restauração custará R$ 1,8 milhão, recursos do governo federal, e conta com a fiscalização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A previsão da conclusão é janeiro de 2021.

A história
O Forte de Santana foi construído na década de 1760.
Porém, há divergências quanto à data exata: embora alguns historiadores apontem para 1763, a placa existente na entrada diz 1765.
Situado junto ao estreito de união das baías Norte e Sul, sua função era proteger a Vila de Nossa Senhora do Desterro das embarcações que adentrassem pela Baía Norte, segundo o site fortalezas.org.
Posteriormente, esta proteção foi reforçada com o cruzamento de fogos com o Forte de São João, localizado no Continente.
Em 1786, tinha 10 canhões, sendo quatro deles de bronze: um de calibre 8 libras e três de calibre 6 libras; e seis canhões de ferro, todos de calibre 12 libras.
Além de suas funções originais, abrigou a Escola de Aprendizes Marinheiros (1857), a Companhia dos Inválidos (1876), o serviço de Polícia do Porto (1880) e, finalmente, uma estação meteorológica do Ministério da Agricultura.
Em 1938, foi tombado como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, abrigando desde 1975 o Museu de Armas da Polícia Militar de Santa Catarina.

Revolução federalista
Um episódio marcante de sua história ocorreu em 1893, por ocasião da Revolução Federalista, quando trocou tiros com a esquadra rebelde.
Prevendo um ataque à cidade, que viria de fato a ocorrer, o comandante do Forte mandou reunir diversos canhões de ferro fundido, que encontravam-se então enterrados pela metade nas ruas da cidade, funcionando com simples enfeites. Com este armamento obsoleto, a fortificação trocou tiros com o poderoso Cruzador Repúblico e com o Vapor Palas, os quais fora do alcance daquela precária artilharia, bombardearam o Forte, forçando seu comandante ao imediato cessar fogo e rendição.

(As fotos antigas são do site fortalezas.org. As atuais de Billy Culleton – 10/6/2020)

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