Há 40 anos – Chamada a cobrar foi inventada em Florianópolis, mas criador ainda aguarda os royalties

Quem nasceu neste século nem sabe o que é isso!
Mas as demais gerações guardam um afeto especial pela chamada a cobrar, apesar de o ato envolver uma pequena dose de constrangimento.
A frase ‘após o sinal diga seu nome e a cidade de onde está falando’ marcou todos os brasileiros a partir de 1980, quando o florianopolitano Adenor Martins de Araújo facilitou a comunicação telefônica.

Funcionário da antiga Telesc, que tinha a sede no Centro da Capital (na frente da Praça Pereira Oliveira), ele se empenhou na invenção após a filha de 11 anos ficar sem dinheiro para voltar para casa e não conseguir ligar para os pais.

Em 1980, Adenor é homenageado pelo governador Jorge Bornhausen; o ministro das Comunicações, Haroldo Corrêa de Mattos; o presidente da Telebrás, José de Alencastro e Silva, e o presidente da Telesc, Douglas de Mesquita (Foto: Arquivo pessoal/Divulgação)

Sistema implantado em 1980
“Toda invenção nasce de uma necessidade. Após o episódio com minha filha, comecei a buscar uma solução em casa. Mas o único lugar em que eu podia testar meu invento era na Telesc. Então, escrevi uma carta para provar o modelo em campo. Eles acabaram aceitando e, em 1980, o sistema foi implantado em Santa Catarina e depois em todo o país”, explicou Adenor, à reportagem do G1, em 2013, lembrando que a primeira cidade a usar o sistema foi Blumenau.

“A primeira mensagem era mais longa e quem gravou foi um locutor da antiga rádio Santa Catarina. A gravação durava 12 segundos. Depois passamos para seis, mas o teor continuava o mesmo. Atualmente, está em quatro segundos”.

Adenor Araújo em imagem da Agência Gaúcha de invenções

STJ reconhece o invento
Adenor obteve a patente da invenção em 1984, porém, no ano seguinte a Telebrás conseguiu anular o registro.
Em 1988, ele recorreu à Justiça para reaver a patente. Em primeira instância, um laudo verificou o caráter de novidade do sistema Discagem Direta a Cobrar.

Após décadas de idas e vindas judiciais, em 2013 o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu o florianopolitano como o criador da chamada a cobrar.

Como está o processo hoje
Com a decisão judicial favorável, Adenor começou a contagem regressiva para receber a indenização (royalties) pela utilização do sistema pelas companhias telefônicas.
Mas até agora, nenhum valor foi definido.

Adenor está prestes a completar 80 anos e prefere não falar sobre o assunto.
O filho Adenor Martins de Araújo Júnior informou à reportagem do Floripa Centro que o processo está no Tribunal de Justiça de Santa Catarina aguardando as movimentações finais para oficializar a indenização.

Antes, tudo passava pela telefonista
Até 1980, a ligação a cobrar existia, mas era preciso a intermediação de uma telefonista.
“A pessoa ligava para o serviço 107 e a telefonista perguntava o serviço e o destino, depois tentava o contato com o destinatário. Quando conseguia, passava todos os dados e valores e o destino precisava aceitar pagar por aquela ligação. Só então os colocava em contato”, afirmou Adenor Júnior, ao G1.

Sistema ainda existe!
Embora poucos usem, a Discagem Direta a Cobrar ainda pode ser utilizada, tanto nos últimos orelhões que resistem nas ruas da cidade, quanto nos celulares.
É só colocar 9090 antes do número do destino, ouvir a famosa musiquinha (‘tarã, tararã, tararã’!) e aguardar que o ‘abastado’ do outro lado da linha aceite o pedido do ‘necessitado’…

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