Relógio inglês do Mercado Público completa 110 anos: para funcionar é preciso dar corda uma vez por semana

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Por Billy Culleton
O relógio existente no Mercado Público foi fabricado em 1911 e veio para Florianópolis pelas mãos da empresa inglesa de telégrafos Western Telegraph, popularmente conhecida como Cabo Submarino.
O relógio ficava na janela da sede da empresa, na Rua João Pinto, a 150 metros da Praça XV.
A população florianopolitana costumava acertar as horas baseada no aparelho fabricado pela Gillett & Johnston, da Inglaterra.
Ele era muito confiável porque marcava as horas conforme o ‘Meridiano de Greenwich’.

Fachada atual da sede do Western Telegraph, com a marcação de onde estaria o relógio, segundo foto da década de 1950, da Associação dos Ex-funcionários da Western (Billy Culleton e Associação da Western)

Quando a firma saiu da Capital em 1975, substituída pela Embratel, todos os seus bens foram vendidos ou doados, segundo levantamento feito pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Florianópolis.
Sobrou apenas o velho relógio que foi reinstalado na entrada Norte do vão central do Mercado Público, porém, sem funcionar.

Relógio fica perto do Bob’s (Acervo blog ‘Uma turista nas nuvens’)

Ajuda de australianos
Em 1989, um casal de australianos, Lourdes e Lyall Fricker, visitou Florianópolis e descobriu o relógio no Mercado, ainda de acordo com a CDL.
Encantados com o bom estado do aparelho, eles se comprometeram a procurar na Europa alguém que pudesse informar como poderia ser colocado novamente em funcionamento.

Na lateral do relógio, a data da fabricação

No mesmo ano, mandaram uma carta à administração do Mercado com o manual do relógio, o que possibilitou a sua recuperação.
Desde então, os florianopolitanos recuperaram um dos seus símbolos mais antigos e até hoje podem confiar no centenário relógio, com “pontualidade inglesa”.

Funcionário dá corda semanalmente
O equipamento que garante o funcionamento do relógio está localizado atrás da parede onde está pendurado o aparelho, dentro de uma das torres do Mercado, onde está instalada a administração.

Ali, um armário concentra a máquina que funciona à corda e tem que ser ajustada uma vez por semana, serviço feito por um funcionário do Mercado, às segundas-feiras.
Também há um equipamento que liga e desliga a luz interna do relógio: acende às 18h e apaga às 6h.

À esq. equipamento base do relógio. À dir., o aparelho que liga e desliga a luz interna do relógio (Acervo Aldonei de Brito)

O equipamento conta com um pêndulo de ferro, de 50 centímetros, que se encontra no andar de baixo, da mesma torre, unido por um cabo, possibilitando o funcionamento do relógio.

Pêndulo é unido por um cabo de ferro, a tal de ‘corda’ (Acervo Aldonei de Brito)

Agora, você já sabe que por trás de esse ‘simples’ relógio de 60 centímetros de diâmetro, existe um complexo maquinário que garante a hora certa para a população da cidade desde 1911.

Iluminado toda a noite (Acervo Aldonei de Brito)

(A foto de abertura é de Billy Culleton e do acervo da Associação dos Ex-funcionários da Western)

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