Único no Brasil, desde 1858 – Antigo carnaval de Desterro tinha desfile de carros de mutação puxados por cavalos

Por Billy Culleton

As alegorias que fascinavam a população nos desfiles dos antigos carnavais de Florianópolis eram muito diferentes das atuais.
Nos séculos XIX e XX, o auge da vibração do público acontecia quando de dentro das estruturas surgiam rainhas, dragões, bruxas ou aviões, que faziam parte da temática das sociedades carnavalescas que dominavam a festa momesca na cidade.

Registro da década de 1920 (Acervo Casa da Memória)

Antecessoras das atuais escolas de samba, entidades como Tenentes do Diabo e Granadeiros da Ilha tinham como principal atrativo os carros de mutação.
Dentro das alegorias, havia um conjunto de engrenagens e roldanas que possibilitavam o movimento das figuras em cima dos carretões, montados sobre o chassi de um caminhão e que eram puxados por cavalos, tratores, jipes ou caminhonetes.
“O sistema era formado por catracas manuais, com roldanas, e acionado por manivelas. Uma combinação de mãos leves de artistas (que preparavam as alegorias) com braços fortes de operários”, explica Fabiana Machado Didoné, mestre em Artes Visuais pela Udesc, no artigo “Um novo olhar sobre as alegorias carnavalescas – Os carros de mutação de Acary Margarida“.

A criatividade dos carnavalescos responsáveis pela criação das peças, conta ela, passeava entre castelos, dragões, aviões, navios, bruxas e animais lendários pertencentes ao folclore local.
Desde a década de 1850, contornavam a Praça XV para se apresentar ao público e também homenagear as autoridades na sacada do Palácio Cruz e Sousa.
O desfile dos carros de mutação, com engrenagens que permitiam que a alegoria se movimentasse e ganhasse vida, era único no país do Carnaval e durou até 1989, já com a utilização de novas tecnologias.
Os carros eram elaborados, durante meses, de acordo com o enredo e o tema individualmente escolhido pelas sociedades.

Década de 1950, no entorno da Praça XV (Acervo: Casa da Memória)

Segundo Didoné, no século XX, os desfiles eram divididos em dois concursos oficiais, mutação e alegoria. O regulamento previa a apresentação de no mínimo quatro e no máximo seis carros por sociedade, com destaque para o abre-alas e o carro da rainha.
No período de 1858 a 1899, existiram 34 sociedades carnavalescas na Capital.
Embora o último desfile tenha sido em 1989, as atividades das grandes sociedades foram paralisadas em 1993.
Somente em 2006, a Granadeiros e a Tenentes do Diabo voltaram a desfilar no Carnaval da cidade, mas pararam suas atividades novamente em 2013.

As quatro principais sociedades carnavalescas:

– Tenentes do Diabo
Fundada em 5 de março de 1905 por militares do Exército transferidos do Rio de Janeiro para Florianópolis, abrigou-se inicialmente nos altos da rua Felipe Schmidt, próximo à Ponte Hercílio Luz. Entre 1970 e 1978 ganhou nove títulos seguidos.

– Granadeiros da Ilha
Fundada em 6 março de 1948 por João dos Passos Xavier, faz uma homenagem em seu nome aos combatentes que defenderam a antiga Desterro (granadeiros são soldados especializados em lançar granadas). No brasão, apresenta a Ilha de Santa Catarina e uma granada como símbolo.

– Trevo de Ouro
Antiga ‘Vai ou Racha’, foi fundada em fevereiro de 1969, sendo Acary Margarida um de seus fundadores, e, mais tarde, seu filho Lauro Margarida presidente.

– Limoeiro
Fundada no bairro do Saco dos Limões, em 1978, pôde beneficiar-se de novas tecnologias e passou a inovar nos efeitos especiais e na decoração de seus carros.

CONFIRA OUTRAS FOTOS:

(As imagens são do acervo da Casa da Memória)

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