Candidata muçulmana em Florianópolis: um fato inédito na história das eleições no Brasil

Compartilhe:

Filha de imigrantes palestinos, a dentista Fátima Hussein segue todas as tradições muçulmanas, desde as convicções religiosas, culturais e gastronômicas até o uso do hijab, vestimenta típica do islamismo.
Nascida em Tubarão e morando na Capital há 20 anos, ela decidiu entrar para a política e é candidata a vereadora pelo Democratas.

Fátima, à esquerda, de vermelho, fazendo campanha junto à comunidade palestina

A reportagem do Floripa Centro a ‘descobriu’, neste domingo, 25, enquanto ela divulgava a sua candidatura na Avenida Beira Mar Norte, junto com várias mulheres muçulmanas de todas as idades, também vestidas a rigor.
“Vou lutar contra todo tipo de discriminação, incluindo raça, gênero, cor e religião”, garantiu.

Em 2000, Fátima mudou-se para Florianópolis onde estudou Odontologia na Universidade Federal de Santa Catarina, e também fez mestrado.
Casada com um médico palestino, ela tem consultório odontológico no Centro da Capital.
A inédita candidatura de Fátima chamou a atenção do portal internacional Monitor do Oriente, que divulga informações sobre a comunidade palestina no mundo.
A reportagem em inglês “Fátima Hussein, a primeira mulher muçulmana a disputar uma eleição municipal no Brasil”, traz detalhes de sua trajetória e propostas.

Confira algumas informações publicadas no portal:

– O pai de Fátima trabalhou no Brasil como parte de uma missão agrícola com a ajuda do governo jordaniano. Ele veio da vila de Yalu, que foi ocupada por Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Todos os moradores foram expulsos e a aldeia foi destruída. Quando isso aconteceu, seus irmãos buscaram refúgio no Brasil e se juntaram ao pai.

– Fátima está confiante de que será capaz de demonstrar que as mulheres muçulmanas podem estudar, ter emprego, ter renda própria, tomar decisões, ter voz e também dar voz aos outros.

Fátima em imagem divulgada pelo Monitor do Oriente

– “Serei a única candidata a usar o hijab. Recebemos notícias falsas aqui no Brasil, muitas delas prejudiciais às mulheres muçulmanas. No entanto, acredito que meu mandato será um verdadeiro espaço democrático, onde todos se sentirão representados e os símbolos do Islã serão mostrados e respeitados”.

– “Mesmo como uma brasileira orgulhosa, sempre defenderei a Palestina, não apenas porque sou de ascendência palestina, mas também porque devemos iluminar nossa comunidade palestina e nossa presença aqui”.

– “Como filha de imigrantes, aprendi que o sucesso em um lugar que não é o seu representa um dos maiores desafios da vida. Eu sei exatamente o que é superar todos os obstáculos e vencer quando a vida me deu apenas uma opção”.

Os palestinos em Florianópolis
O ano de 1977 foi um marco para a chegada dos primeiros palestinos à Capital.
Segundo reportagem da Rádio Campeche, foi naquele ano que chegou à capital o palestino Khader Othman, um dos tantos que fora obrigado a abandonar sua terra, quando foi criado o Estado de Israel, em 1948.

Khader Othman (Divulgação Rádio Campeche)

A vinda para o Brasil foi em 1967, mas a primeira parada foi em Tubarão, onde já havia palestinos desde 1959, continua a matéria.
A decisão de vir para a Florianópolis, dez anos depois, acabou incentivando outros companheiros, dispostos a iniciar nova vida.

Hoje, Florianópolis tem uma grande comunidade de palestinos.
A primeira geração, que chegou no rastro de Khader, começou a vida no comércio, conta a Rádio Campeche, e quem anda pelas ruas do Centro seguramente encontrará um palestino, pois muitas das lojas da região estão sob o comando dessas famílias.

“A primeira ideia foi trabalhar com o comércio – lojas e restaurantes -, pois era a forma mais rápida de garantir o sustento das famílias”, lembra Khader.
Já a segunda geração, formada pelos filhos dos imigrantes, brasileiros natos, tem se expandido por outros caminhos, com profissionais em todas as áreas. “A cidade nos recebeu com carinho e nós somos muito gratos”, disse Khader à rádio.

Compartilhe:
0 respostas

Deixe uma resposta

Quer entrar na discussão?
Sinta-se livre para contribuir!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *