Diário da quarentena – E agora, mané?! O que fazer com as saudades do cafezinho após o almoço nas ruas do Centro?

Por Lui von Holleben*

Se eu perguntasse para Zininho: “Qual a melhor parte da vida?”, ele provavelmente responderia cantando seu “Rancho de Amor à Vida”:
“Viver, amar, sorrir, cantar! / Andar pelas ruas da minha cidade /Sem ter que seguir e sem ter que voltar / Curtir, o sol, o céu e o mar / Camisa aberta no peito / E no coração muito amor pra dar!”

E não poderia deixar de concordar.
Viver, respirar e amar o Centro de Florianópolis, se resume às palavras do poeta.

Com o Covid-19 e todos os necessários cuidados e restrições, estamos como diria Djavan: “morrendo de sede em frente ao mar”.
E então, ficamos saudosistas para algo que vivemos há poucos meses: o último Berbigão do Boca, o último Carnaval (juro que nunca mais reclamo de muita gente aglomerada); dos cafezinhos depois do almoço pelas ruas do Centro e da família unida.
Também das tardes de futebol com um chopp gelado ou simplesmente de ver Floripa acordando para mais uma semana de trabalho.

Lembrei de 2001, o ano que a Ilha apagou.
Dias estranhos na minha infância, onde a família só deixava sair de casa de dia pelos perigos da escuridão.
Hoje estamos conhecendo uma escuridão diferente.

Tomando a licença poética de Drummond… pergunto a vocês leitores, e agora, mané?

“E agora, Mané? / o boi de mamão acabou, / a luz apagou, / o povo sumiu, / a Praça XV esfriou, / o dominó se guardou, / e agora, mané?/ E agora, você?
Está sem a turma,/ sem o Mercado Público,/ sem a Lagoa, / sem o Daza, / sem o futebol,/ já não pode o cafezinho tomar, / e agora, mané?
E agora, mané?/ sua caminhada preferida, / a tainha frita, / a cerveja gelada, / seus causos, / os planos, / sua Ilha – e agora?”

Ah! Enquanto ficava me perguntando: “E agora?”, criei um curso online gratuito para ajudar quem perdeu o emprego a performar melhor na carreira e em processos seletivos.
Também aproveitei a quarentena para eternizar a Ilha na minha pele – arte do talentoso Felipe Besen.
E até apareci no Cacau, o amarelo!
Enfim, vamos vivendo e aprendendo a jogar!

Li uma frase da mineira Adélia Prado e aproveito para citá-la para finalizar meu singelo texto: “Aquilo que a memória amou, fica eterno!”.

Vamos lembrando da nossa Ilha, do nosso Centro, entre máscaras e medrosas interações, por enquanto.
E se Deus quiser, em breve, estaremos aproveitando novamente.
Como canta o Dazaranha: “… um oceano, um mirante, um sorriso – que essa Ilha não pode perder”.

* Especialista em startups e morador apaixonado do Centro.

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