Há 35 anos – Primeiro assalto a banco em Florianópolis foi do Comando Vermelho e rendeu 1 bilhão de cruzeiros

Por Billy Culleton
Era final do mês e os servidores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) estavam ansiosos para receber os salários.
Naquela manhã de 25 de setembro de 1985, um carro forte da Prosegur estacionou ao lado da agência do Besc, no Centro de Convivência da UFSC, e no momento em que os guardas desciam com os malotes foram surpreendidos por quatro homens, que estavam vestidos com uniformes da Comcap.
Sob a mira de revolveres e metralhadoras, a vigilância foi obrigada a entregar o dinheiro.

Tiroteio e feridos
Os assaltantes escondiam as armas nos carrinhos similares aos utilizados pelos garis, que depois também serviram para carregar os malotes até os veículos usados na fuga.
Imediatamente, os guardas reagiram e houve troca de disparos.
Um assaltante foi atingido no braço e dois seguranças ficaram gravemente feridos.

Imagem do Jornal Zero mostra seguranças da Prosegur, na UFSC, em 1985

Os criminosos fugiram levando 1 bilhão de cruzeiros, o equivalente à grande parte da folha salarial dos servidores da Universidade.
A ação cinematográfica se transformou no primeiro grande assalto a banco da história da cidade.

Comando Vermelho
Os assaltantes eram liderados por Paulo Cesar Chaves, o PC, um dos fundadores do Comando Vermelho, facção criminosa criada no início da década de 1980, no Rio de Janeiro.

Após sair da prisão, PC Chaves virou camelô nas ruas do Rio (Imagem da entrevista concedida a Wagner Montes)

Depois do assalto, o bando foi se esconder num apartamento no Itacorubi, próximo à UFSC.
O imóvel pertencia a uma jornalista que trabalhava no Jornal O Estado e que era namorada de PC.
A profissional gaúcha tinha dado guarida ao fugitivo carioca e, antes do assalto, o ajudou a dar uma aparência de legalidade a um comércio de aluguel de jet ski na Lagoa da Conceição, o primeiro do setor em Florianópolis.

Prisão e retorno ao Rio
Em menos de duas semanas, o bando foi preso pela polícia local, mas apenas parte do dinheiro foi recuperada.
Os quatro cumpriram o início da condena em Florianópolis e, mais tarde, foram transferidos para o Rio de Janeiro.

Os atores que participaram do filme “400 contra 1” que conta a história do Comando Vermelho. PC seria o último à direita, em pé (Divulgação)

Nunca se conseguiu provar a cumplicidade da jornalista com os assaltantes.
Ela não foi presa, abandonou o Jornalismo e, atualmente, trabalha numa agência de Turismo no Rio Grande do Sul.

Livro e filme
A história de PC é contada no livro ‘O Bandido da Chacrete’, de Júlio Ludemir.
O título faz referência ao affair do criminoso com a chacrete Martinha, que foi presa com ele na década de 1970.

Chacrete Martinha (em destaque) foi uma das namoradas de PC (Acervo Profile Chacretiano)

Na obra está detalhada a passagem de PC pela capital catarinense.
O filme “400 contra 1” também tem o criminoso como personagem, na trama que conta a história do Comando Vermelho.

Jornal da UFSC entrevista guarda ferido
Um mês após o assalto, o Jornal Zero, do Curso de Jornalismo da UFSC, fez uma reportagem que serviu de referência para esta matéria do Floripa Centro.
O então estudante Angelo Medeiros entrevistou Manoel Liano Severo Brasil, um dos guardas feridos durante o assalto.
“Os assaltantes chegaram e nos renderam, quando eu vi eles saindo com o dinheiro, pensei em reagir, pois é o que tem que se fazer, aí levei um tiro e não pude fazer mais nada”, contou o guarda da Prosegur, que foi levado para o hospital e ficou um tempo em estado delicado.
“Não se pode ter medo ou receio neste emprego, tem de estar preparado para tudo”.

Nas semanas seguintes, a Prosegur deu um prêmio de 5 milhões de cruzeiros para cada membro da equipe assaltada, pela valentia que demonstraram.

Confira entrevista com PC Chaves, anos depois, já com a saúde debilitada:

(Esta reportagem contou com a colaboração dos jornalistas João Carlos Mendonça e Angelo Medeiros, que cobriram o assalto em 1985. A foto de abertura é do Jornal Zero)

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