Piso da Praça XV tem 47 painéis de Hassis retratando o cotidiano da Ilha. Mas a enorme placa explicativa sumiu!

Em 1965, um dos artistas mais importantes da Ilha, Hiedy de Assis Corrêa, conhecido como Hassis, criou desenhos para a pavimentação do piso da Praça XV de Novembro, no Centro de Florianópolis.
Nascido em Curitiba em 1926, mas residente em Florianópolis desde os dois anos de idade, sua carreira nas artes plásticas sempre foi marcada por desenhos e pinturas ligados ao folclore ilhéu, descreve o portal Mosaicos do Brasil.
E foi este o tema que Hassis escolheu, quando foi convidado pela prefeitura para produzir os mosaicos na Praça XV, feitos em pedra portuguesa ou ‘petit pavê’.
O artista buscou inspiração nos temas da vida cotidiana de Florianópolis, continua o texto de Mosaicos, elaborando desenhos que retratam os brinquedos da garotada (empinar pipa, pular corda, soltar balões), os folguedos, as profissões tradicionais e o artesanato local.
Placa ajudava a identificar e entender as obras
Para alguns, pode se tornar complicado identificar os mosaicos no piso.
Por isso, há vários anos existia um grande painel explicativo, mostrando o significado e a localização de cada um dos 47 desenhos.
A placa de lona, de 2,5 metros x 4 metros, ficava na entrada da praça, ao final do Calçadão da Felipe Schmidt.

Mas este ano desapareceu.
Segundo os taxistas do entorno, o painel foi retirado para instalar a decoração de Natal.
Depois ficou encostado numa banca de jornal na frente da Catedral e, por fim, sumiu, ficando apenas a estrutura de metal, que ainda pode ser vista no local.

A prefeitura também não sabe o que aconteceu
A reportagem fez contato com Departamento de Desenho Urbano e Espaços Públicos da Prefeitura de Florianópolis, na semana passada.
“Estamos averiguando esta questão. Assim que tivermos um retorno te encaminharemos”, foi a resposta ao e-mail enviado pelo Floripa Centro.
Porém, até esta quarta-feira, 19, não houve novo contato, o que leva a crer que a administração municipal desconhece o destino da placa.
Mas, também pode se concluir que, alertada por esta publicação, a prefeitura recoloque o painel explicativo no seu lugar original nas próximas semanas.

Hassis em seu ateliê, no Bairro Itaguaçu, no final da década de 1990 (Acervo Fundação Hassis)

Desenhos pensados ‘na hora’
Hassis criou os desenhos de improviso, ‘na hora’, segundo relatou ao Jornal Diário Catarinense, em entrevista no ano 2000, meses antes do seu falecimento.
“Eu ia desenhando com uma varinha e uma equipe de 10 homens ia preenchendo pedras brancas ou pretas”.
Por isso, não há esboços, desenhados, sobre a obra que levou seis meses para ficar pronta.
Esta informação consta no Trabalho de Conclusão de Curso, de Anna Julia Borges Serafim, intitulado “Hassis na Praça XV e a Praça XV em Hassis: Estudo de caso sobre a pavimentação artística de Hassis em Florianópolis”, do Curso em Museologia, da Universidade Federal de Santa Catarina.
O trabalho acadêmico de 2017 também apresenta uma pesquisa de campo junto aos frequentadores da Praça XV, sobre os desenhos artísticos no local.
Confira:

Confira o vídeo explicativo:

Desenhos em outras praças do Centro

Os desenhos na Praça XV foram feitos em 1965.
A estudante Anna Serafim informa que nos anos seguintes também houve a implantação da obra em outras praças localizadas no Centro de Florianópolis: em 1966, Pereira Oliveira e Olívio Amorim, e em 1967, Benjamim Constant e Bulcão Viana.
Nessas praças, as referências à cultura da cidade também prevalecem.
O Largo Benjamin Constant é o único espaço em que o artista fez desenhos que fogem dos padrões de outras praças: um avião da Força Aérea Brasileira.
Esse desenho é uma homenagem a um piloto que faleceu em um acidente aéreo ocorrido nas imediações. Além disso, também nesse largo, Hassis fez representações de suas duas filhas, Leilah e Luciana.

Reforma em 2000 contou com a participação de Hassis
Com 74 anos, o artista participou da restauração do piso, com buracos e desníveis produzidos ao longo de 35 anos.
A revitalização começou em 1999 e foi concluída em 2000, ano em que Hassis faleceu.
Em 2014, o piso com os desenhos foi tombado como patrimônio histórico e artístico da cidade.

(Texto e maioria das fotos de Billy Culleton. A pauta foi sugerida pelo colega Zé Dassilva, admirador fanático de Hassis)

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