Reportagem do portal El País – Antonieta de Barros, a florianopolitana que criou o Dia do Professor

Neste 15 de outubro, Dia do Professor, o portal El País publica uma bela reportagem, que traz uma informação desconhecida pela maioria dos catarinenses.
Em outubro de 1948, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina aprovou a Lei Nº 145, que criou o Dia do Professor e o feriado escolar na data.
A proposta foi da deputada estadual Antonieta de Barros.

Registro do acervo do Memorial Antonieta de Barros

Até então, a data era comemorada informalmente em todo o país, relembrando a primeira grande lei educacional do Brasil, sancionada por Dom Pedro I em 15 de outubro em 1827, um marco para a educação brasileira.

A data somente foi oficializada no país inteiro 25 anos depois, em outubro de 1963, pelo presidente João Goulart.

Na extensa e cativante reportagem sobre a primeira mulher negra a ser eleita deputada no Brasil, a jornalista Aline Torres faz uma recopilação histórica da trajetória de Antonieta, que nasceu, trabalhou e morreu no Centro de Florianópolis.

Confira alguns trechos:

“Nasceu em Florianópolis no dia 11 de julho de 1901. No registro de batismo, na Cúria Metropolitana, realizado pelo Padre Francisco Topp, não aparece o nome do pai. A mãe era Catarina Waltrich, escrava liberta.”

“Catarina teve três filhos e os sustentava como lavadeira, serviço comum às mulheres negras da época. Também teve, com a ajuda financeira de Vidal Ramos, uma pequena pensão para estudantes. Foram esses jovens que ensinaram as letras tardiamente para a curiosa Antonieta. Alfabetizada, mergulhou por conta própria no universo dos livros.”

“Professora formada, tinha 17 anos quando fundou o curso particular “Antonieta de Barros”, com o objetivo de combater o analfabetismo de adultos carentes. Sua crença era que a educação era a única arma capaz de libertar os desfavorecidos da servidão. Sua fama de excelente profissional, no entanto, fez com que lecionasse também para a elite nos Colégio Coração de Jesus, Dias Velho e Catarinense.”

Antonieta com a bancada de deputados estaduais que elegeram Nereu Ramos (ao centro) como governador, em 1935. Imagem do livro ‘Perfis Parlamentares: Nereu Ramos’

“A bandeira política de Antonieta era o poder revolucionário e libertador da educação para todos. O analfabetismo em Santa Catarina, em 1922, época que começou a lecionar, era de 65%.”

“Sua defesa acirrada pela educação fez com que ocupasse as páginas dos jornais. Além de professora, virou cronista. Não havia outra mulher em posição semelhante no Estado. Em 23 anos de contribuição à imprensa escreveu mais de mil artigos em oito veículos e criou a revista Vida Ilhoa.”

“Tinha voz numa época que as mulheres eram silenciadas. Escreveu dois capítulos da Constituição catarinense, sobre Educação e Cultura e Funcionalismo, até ser destituída do cargo pelo golpe de Getúlio Vargas.”

“Em 1937, publicou o livro Farrapos de Ideias. Os lucros da primeira edição foram doados para construção de uma escola para abrigar crianças, filhas de pais internados no leprosário Colônia Santa Tereza. A obra teve outras duas edições.”

“A grandeza da vida, a magnitude da vida, gira em torno da educação”, escreveu em seu livro.”

(As imagens não fazem parte da reportagem do El País. A foto de abertura é do site da Udesc, que a identifica como do “Álbum da normalista Maria Carolina Gallotti Kehrig – 1947“)

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