O suntuoso Hotel Metropol, que recebia passageiros dos hidroaviões e intelectuais, como Olavo Bilac

Compartilhe:

Por Billy Culleton
Uma das edificações mais bem conservadas do Centro Histórico da Capital sediou o tradicional Hotel Metropol, construído na década de 1910, no Centro.
Localizado a 100 metros do Mercado Público, a entrada era na atual Rua Conselheiro Mafra e o prédio se estendia até a Rua Francisco Tolentino, que dava de frente para o mar, na Baía Sul.

Registro do Centro na década de 1920 (Acervo Casa da Memória)

Apesar de sua majestosa arquitetura, o hotel não era luxuoso.
“As unidades habitacionais eram todas iguais: quartos com cama e pia, sendo que os banheiros ficavam localizados externamente, nos corredores de acesso”, descreve a pesquisadora Fabíola Martins dos Santos, em sua dissertação de mestrado da Univali (2005) “Uma análise histórico-espacial do setor hoteleiro no núcleo urbano central de Florianópolis”.

Conselheiro Mafra Nº 45 (hoje 415) era o endereço oficial do Metropol (Billy Culleton)

Na época, não havia serviço de quarto.
O regime de alimentação era o de pensão completa, que consistia no café, almoço e jantar, servidos no salão de refeições”, explica a historiadora.

Anúncio no Jornal O Estado, em 10 de dezembro de 1916, mostrava que pertencia ao cônsul do império austro-húngaro em Santa Catarina, Miguel Tertschitsch, que aperfeiçoou a hospedagem para receber hóspedes que chegavam à cidade de barco pelo Cais Rita Maria.

Na década seguinte, pertenceu a “Moura & Sobrinho”, como atesta anúncio no livreto “Indicador Commercial, Industrial e Profissional do Munícipio de Florianópolis (1°ano, 1928)”, organizado por José Rodrigues Fonseca, sob os auspícios da M. M. Associação Commercial.

Anúncio em 1928 (gentileza Leonan Quadros, Desterro Antesdonte)

Já na década de 1930, o proprietário era José Braunsperger, que anunciou o hotel numa publicação comemorativa do Lyra Tennis Clube, no Natal de 1931.

Anúncio na publicação do Lyra Tennis Clube (Via Leonan Quadros, Desterro Antesdonte)

A propaganda mostrava os atrativos do estabelecimento.
Além da limpeza e ordem, a diversidade do restaurante.
Casa de primeira ordem. Hygiene absoluta. Ordem modelar. Optima Cosinha brasileira e alemã. Grande variedade em bebidas estrangeiras e nacionais

Também ressalta-se a localização privilegiada:
“Situado á beira mar, com bela vista sobre a Bahía sul de Florianópolis. Próximo ao ponto de desembarque dos passageiros da linhas de hydroaviões…”.

Reportagem relacionada: Os hidroaviões em Florianópolis

Também ficava próximo ao ponto de partida das linhas de “Omnibus para Itajahy, Brusque, Blumenau, Jaraguá e Joinville”.

Fachada na Rua Francisco Tolentino, década 1930 (Via Leonan Quadros, Desterro Antesdonte)

Em 1940, o hotel foi arrendado por Hugo Pessi.

Ele foi por muito tempo o maior empresário do ramo da hotelaria da cidade, explorando simultaneamente os hotéis Metropol, Central e Majestic.

O estabelecimento havia pertencido ao Sr. Hanz, um alemão que, em razão da 2ª Guerra Mundial, sentindo-se ameaçado, mudou-se para Blumenau. Foi então que Hugo Pessi, vislumbrando a ideia de expandir seus negócios, aproveitou a oportunidade de arrendamento do hotel”, informa a pesquisadora Fabíola Martins dos Santos.

Fachada atual na Francisco Tolentino (Billy Culleton)

O empreendimento era caracterizado como um estabelecimento que atendia famílias e viajantes, homens de negócios, que permaneciam na cidade por um tempo determinado.

Olavo Bilac almoça no hotel
O restaurante de frente para a Baía Sul costumava receber personalidades políticas e artísticas, como o escritor Olavo Bilac, que visitou Florianópolis em 1916.
Em novembro de 1916, o poeta Olavo Bilac esteve na Ilha por um dia, passeando por ela de automóvel com o governador Felipe Schmidt e almoçando no Hotel Metropol”, conta Gilberto Gerlach, na obra Ilha de Santa Catarina, lançada em 2015.

Foto com a vista atual de um dos quartos do Metropol (Acervo Imobiliária Megam)

Atualidade
A arquitetura do antigo hotel tem uma curiosidade: do lado da Rua Conselheiro Mafra tem três pavimentos e na Francisco Tolentino, quatro.
O fato se deve ao desnível das duas vias, com relação ao mar.

Hoje, o térreo da edificação, nas duas ruas, está ocupado por lojas, enquanto os andares superiores, que já foram utilizados como salas de aula de uma instituição de ensino superior, agora, estão para alugar na Imobiliária Megam.

Quarto nobre, com porta para a sacada e vista para o mar (Acervo Imobiliária Megam)

No anúncio, no site da imobiliária, é possível ter uma dimensão do centenário prédio.

Quarto menor, sem sacada (Acervo Imobiliária Megam)

O primeiro andar está distribuído em sete grandes salas (antigos quartos do hotel) e dois banheiros.
No segundo andar há outras seis grandes salas e quatro banheiros.

Corredor com os banheiros ao fundo (Acervo Imobiliária Megam)

Atualmente, o imóvel conta com elevador e acessibilidade.
O espaço para alugar possui aproximadamente 1000 m² de área privativa e o valor do aluguel é de R$ 25 mil.

Compartilhe:
0 respostas

Deixe uma resposta

Quer entrar na discussão?
Sinta-se livre para contribuir!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *