Os 60 anos do único hotel de Florianópolis que recebeu os dois reis do Brasil

Por Billy Culleton
O país tem dois soberanos indiscutíveis: Pelé e Roberto Carlos.
E ambos se hospedaram, na década de 1970, no mais luxuoso e sofisticado hotel que existia na Capital: o Oscar.
O empreendimento, inaugurado em 6 de novembro de 1960, era a hospedagem favorita dos famosos que visitavam a cidade: artistas, músicos e políticos.
“Não tínhamos o costume de aceitar times de futebol, mas abrimos uma exceção para o Santos de Pelé”, lembra Odson Cardoso, filho do fundador Oscar Cardoso.
Ele se refere a agosto de 1972 quando o time paulista veio a Florianópolis para jogar um amistoso com o Avaí e se hospedou no Oscar.
O fato marcou para sempre a história do hotel da Avenida Hercílio Luz, o mais antigo em funcionamento na cidade.

Única foto conhecida de Pelé no hall do Oscar, com Fernando Bastos Filho (Arquivo pessoal F. Bastos)

A inauguração da moderna edificação, num domingo pela manhã, foi um grande acontecimento.
Entre os 400 convidados estava o governador Heriberto Hülse e dezenas de autoridades e jornalistas.
O evento teve tanta repercussão que a Rádio Diário da Manhã fez a transmissão completa ao vivo.

Anúncio no jornal O Estado divulga a inauguração

O coquetel aconteceu no restaurante panorâmico que existia no 6º, e último andar, do prédio e foi servido “champanhe e aperitivos à altura de seus convidados”, como noticiou o Jornal A Gazeta de 7 de novembro de 1960.

O sucesso do piano-bar
“O cantor Roberto Carlos também se hospedou na década de 1970, mas não lembro o ano exato”, afirma Odson Cardoso, de 82 anos, lamentando que as fotos históricas com os hóspedes famosos tenham se ‘perdido por aí’.
“Na época, poucos tinham máquinas fotográficas”.

Roberto Carlos na década de 1970 (Acervo do Arquivo Nacional)

Ele recorda que o rei frequentou o piano-bar que existia no térreo, com vista para a rua, e que durante muitos anos foi um requintado ponto de encontro dos florianopolitanos.
“Os cantores que se hospedavam aqui sempre davam uma palinha: foi assim com Lupicínio Rodrigues, Agostinho dos Santos e Caetano Veloso”.

Governador Heriberto Hülse; comandante do 5° Distrito Naval, almirante Augusto Grunewald; empresário e anfitrião, Oscar Cardoso; e desembargador Ivo de Mello (Foto de Lazaro Bartolomeu, publicada na coluna de Marcos Cardoso, do ND+)

“Gosto de lembrar também que o Comando do Quinto Distrito Naval, no dia alusivo a Batalha do Riachuelo, em 11 de junho, todos os anos fazia coquetéis para comemorar a data nos salões do Oscar Palace Hotel, tendo como anfitrião o comandante Augusto Hamann Rademaker Grünewald, que em 1969 viria a ser o vice-presidente da República”, conta Odson.

Curiosidades do hotel
– Inaugurado em 1960, o Oscar Palace Hotel começou a ser construído em 1949.

Hotel na atualidade (Divulgação Oscar)

– À época da inauguração, o hotel tinha 15 apartamentos e 45 quartos. Atualmente conta com 52 apartamentos.
– Em 1998, com a expansão do ramo hoteleiro na capital, o hotel perdeu o status de “Palace” e passou a ser denominado apenas de “Oscar Hotel”.
– Em seu hall de entrada, apresenta imagens de patrimônios históricos da cidade como a Ponte Hercílio Luz, o Mercado Público, o Palácio Cruz e Souza e a Catedral Metropolitana.

Empreendimento na década de 1980 (Acervo Hotel Oscar)

– Parte do térreo original do hotel, na esquina da Avenida Hercílio Luz com Anita Garibaldi, começou a ser locado comercialmente na década de 2000. Já foi agência de turismo e atualmente é uma instituição de crédito.
– Atualmente, em tempos de pandemia, adaptou parte da estrutura para alugar quartos que servem como ‘Room Office” com uma diária de R$ 89, entre 8h e 18h.

História do fundador
– Oscar Cardoso nasceu em 1898 em Florianópolis.
– Aos 16 anos começou a trajetória de alfaiate até se transformar num dos mais importantes da cidade, atendendo personalidades importantes da sociedade florianopolitana.
– Em 1927, fundou a loja “Capital”, na esquina das ruas Conselheiro Mafra e Trajano, que funcionou até 1979, quando foi transferida para a Avenida Hercílio Luz.
Nos anos seguintes, abriu várias filiais do comércio em Blumenau, Lages, Tubarão e também em São Paulo.
– Teve atuação importante na época por apoiar, em 1931, o movimento de reivindicações das classes comerciais, industriais e agrícolas, com a União dos Varejistas de Florianópolis, hoje Sindicato do Comércio.
– Em 1937, instalou a fábrica de roupas “Distincta”, na rua Fernando Machado.
– Em 1973, foi homenageado pela Universidade Federal de Santa Catarina por ter cedido, em 1960, o prédio para a instalação da Faculdade de Medicina.
– Faleceu em 1980, com 82 anos.
(Dados obtidos na dissertação de mestrado “Uma análise histórico-espacial do setor hoteleiro no núcleo urbano central de Florianópolis”, de Fabíola Martins dos Santos, do Curso de Turismo e Hotelaria da Univali, 2005)

 

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