Em 1881, governador cerca cemitério no Centro para impedir passagem da população em direção à praia

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Apoio cultural: Box 32 e CDL Florianópolis

O antigo cemitério municipal de Florianópolis foi fundado em 1840 nos altos da atual Rua Felipe Schmidt, onde hoje se localiza o Parque da Luz.

Na época, o terreno distante e descampado, que pertencia ao cidadão José Vieira da Rocha, foi desapropriado pelo poder público para evitar os sepultamentos no interior e ao redor dos templos da cidade, como era o costume há séculos.

“Destinou-se cada parte do terreno às irmandades e ordens religiosas existentes na cidade, reservando-se uma parte aos jazigos dos indigentes e aos que professavam os credos não católicos”, conta a urbanista Eliane Veras da Veiga, no livro ‘Florianópolis – Memória Urbana’.

Na medida em que o cemitério foi sendo ocupado, a população em geral, segundo a pesquisadora, quando queria alcançar mais rapidamente a Praia de Fora (atual Beira Mar Norte), aproveita a continuação da Rua do Senado (Felipe Schmidt), que atravessava o ‘campo santo’.

Para evitar transtornos, em 1881, o governador João Rodrigues Chaves (na época chamado de presidente) mandou construir uma cerca e um portão, impedindo o fluxo de pedestres.

O morro do cemitério antes da construção da Ponte Hercílio Luz (Acervo da Casa da Memória)

E mandou publicar um edital com a nova proibição de entrar para o cemitério público pela rua do Senado.
“Só em caso de enterros que tem de vir pela parte da Praia de Fora, ou da vizinhança daquele lado, será aberto o portão que se acha colocado na entrada de dita rua”.

Assim, a partir de então, o portão acabou com o atalho usado pelos destemidos florianopolitanos que se dirigiam à Praia de Fora.

Banhos há 140 anos
Embora o costume de frequentar a praia como atividade de lazer tenha se consolidado décadas depois, naquela época há registros do início do hábito.

A Praia de Fora foi a primeira a ser frequentada para lazer (Foto reproduzida na obra de Eliane Veras da Veiga)

Em 1887, o presidente da província de Santa Catarina, Francisco José da Rocha, ao defender a transferência do cemitério nos altos da Felipe Schmidt argumenta que este ‘prejudica a parte da cidade mais procurada para banho, e onde há as mais modernas construções e aprazíveis chácaras’, como conta Eliane Veras da Veiga, no livro ‘Florianópolis – Memória Urbana’.

Transferência
Em 1925, um ano antes da inauguração da Ponte Hercílio Luz, o necrotério foi transferido para o Itacorubi, levando a maior parte dos 30 mil corpos ali sepultados.

Como só foram desenterrados os cadáveres que estavam identificados, nas décadas seguintes, estudantes de Medicina e Odontologia ainda frequentavam o local buscando ossos para seus estudos.

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(A foto de abertura é do acervo da Casa da Memória)

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